Crítica: “Logan”.

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“Logan”, de James Mangold é o derradeiro ato na saga do mutante mais famoso da Marvel Comics no cinema. E não só por ser a despedida de Hugh Jackman no papel que o consagrou como um dos maiores astros de sua geração. É também a prova de que as histórias em quadrinhos serão sempre determinantes para que filmes como esse continuem a serem produzidos nos próximos anos.

Tudo bem que mais do que nunca o cinema influencia os rumos dos personagens nas páginas das revistas, mas é inegável que nenhum roteirista de cinema consegue se abster do que os escritores de quadrinhos criam. Os eventos mais importantes na saga de Wolverine nos últimos anos representam a espinha dorsal do novo filme.

Diferente dos anteriores e mesmo da franquia dos X-Men, este filme é mais sério, dramático e deveras pessimista. Mas nada disso é gratuito na tela, já que o personagem que vemos não é o Wolverine ágil e mortal, mas sim o homem por trás de um passado cheio de incontáveis feridas que não cicatrizam. E algumas pelo corpo também, já que vemos o lendário fator de cura quase ineficaz (vindo diretamente dos quadrinhos recentes).

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Vemos um homem alquebrado que foi deixado por todos aqueles que faziam parte de sua história. Apenas Logan e o professor Charles Xavier (Patrick Stewart), também sofrendo os efeitos do tempo e os traumas da vida se mantém vivos nesse mundo futuro em que os mutantes deixaram de existir. Apenas algumas pistas são deixadas sobre o que de fato aconteceu. Nos quadrinhos, tanto os mais antigos, como os recentes, algumas possibilidades desse “extermínio” podem ser consideradas.

Mas como se trata de um filme do universo mutante, mais personagens com poderes especiais precisam estar na tela, ainda que muito menos que nos episódios anteriores. Temos Caliban (Stephen Merchant) e a co-estrela da história, a jovem Laura Kinney (Dafne Keen), mais conhecida nos quadrinhos e desenhos animados como X-23. Mais do que nunca, a personagem criada na série animada “X-Men Evolution” pode determinar um próximo passo nos filmes da franquia.

O trio mutante segura a história, deixando de lado um pouco o drama para dar espaço à ação, tornando boa parte do filme um autêntico “road movie”, lembrando em alguns momentos “Mad Max”. É um grande mérito do filme, mesclar as cenas de ação e emoção com os momentos dramáticos e tocantes protagonizados pelos personagens. Aliás, fantásticas interpretações de Stewart e Jackman e um destaque especial para Keen, que quase não fala, mas é extremamente expressiva.

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É claro que há a famosa batalha decisiva do terceiro ato, como em qualquer filme de super-herói. Mas ao contrário dos demais, vemos em “Logan” a transformação do personagem, que vai aos poucos deixando de ser “super”, mas sem jamais perder o heroísmo. Mesmo que para isso tenha que ser uma coisa que ele nunca foi, um simples ser humano.

Sem querer ser o maior filme de super-heróis de todos os tempos, como, aliás, a FOX vem fazendo em suas produções, “Logan” instaura um novo momento no gênero. Se em 1999, com o primeiro “X-Men”, os filmes baseados em quadrinhos vieram a se tornar o que são hoje, “Logan” inaugura a era que trata até mesmo o mais poderoso dos seres como qualquer um de nós, cheio de fraquezas, dúvidas, mas ainda assim, dispostos a nos sacrificar por aqueles que amamos.

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Ao contrário do que Wolverine diz no filme, eu diria a Hugh Jackman: Vale a pena ser como lhe fizeram, pois você fez de si mesmo um exemplo para muitos. E um agradecimento àquele que se tornou parte de uma história que ainda não encontrará seu fim, Hugh “Wolverine” Jackman.

Como diz a música do lendário Johnny Cash “The man comes around” (que toca nos créditos finais), “quem for injusto, continue sendo injusto; quem for correto, continue sendo correto”.  

Nota: 5 de 5.

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