Crítica: “Power Rangers”.

powerrangers_19-750x380

Os Power Rangers surgiram no começo dos anos 90 a partir da seguinte premissa: adaptar para o contexto ocidental os seriados de esquadrões produzidos no Japão, os chamados Super Sentai (que existem desde 1975 e que existem até hoje). A fórmula permanece, entre altos e baixos, inclusive por meio de uma parceria comercial entre a Toei Company (criadora das séries japonesas) e a Saban (que faz as adaptações).

Hoje, 24 anos depois da estreia da primeira temporada da série, o cinema traz uma adaptação dos personagens, preservando a ideia original, mas com todo um contexto cinematográfico moderno, principalmente no que diz respeito aos filmes de super-heróis.

A produção dirigida por Dan Israelite mantem os mesmos nomes e lugares da produção original, mas os transforma de maneira a colocar os antes estereotipados personagens em histórias mais de acordo com os nossos dias. Não há mais o lutador, o dançarino, o intelectual, a garota sábia e a ginasta. O filme tem um atleta desajustado, um garoto autista, um arruaceiro, uma jovem com passado misterioso e outra que luta contra todos os preconceitos.

Assim como sugerido no primeiro trailer, os cinco protagonistas se conhecem numa situação muito semelhante ao filme dos anos 80 “O Clube dos Cinco”, numa típica detenção de colégio numa manhã de sábado. Diferenças de cada um são necessárias para que eles conheçam suas próprias similaridades, e essa aproximação se configura em maior força quando eles são “escolhidos” para serem os novos defensores da Terra, os Power Rangers.

FilmeCast

Quando o mundo sofre mais uma vez a ameaça da feiticeira espacial Rita Repulsa, muito bem representada por Elizabeth Banks, o misterioso Zordon (Bryan Cranston) ressurge para comandar esses adolescentes para o combate. O roteiro faz bem em usar o conceito dos cristais Zeo (presente na terceira temporada da série) para justificar a disputa entre os jovens heróis e a vilã.

O filme conta como esses jovens ganham seus poderes e aprendem a controlar suas novas habilidades, assim como os poderosos veículos conhecidos como Zords. Mas até que eles alcancem o poder de morfar (adquirindo suas armaduras), eles enfrentam seus problemas pessoais e buscam canalizar seus dons para essa nova missão. Por isso, o filme é mais uma história para apresentar e construir os personagens até que eles alcancem o terceiro ato, a sempre comum batalha final.

Os cinco jovens estão bem representados pelos atores, cada um com suas características próprias e sua personalidade. Quando se transformam, se tornam hábeis heróis especialistas em combate e acrobacias cheias de efeitos visuais. Esse é um dos pontos que diminuem um pouco a experiência para quem conhece a série original ou os programas nipônicos.

power-rangers-movie-sequel_0

Assim como nos novos filmes das Tartarugas Ninjas (que já encontraram os Rangers num episódio da televisão), há poucas sequências de luta com dublês, dando lugar para muita câmera lenta e técnicas de computação. Há os combates, mas não com a emoção que os japoneses sabem fazer. O mesmo vale para os monstros, que são digitais e não causam o mesmo impacto (mesmo que risadas) dos atores fantasiados dos tokusatsus.

A batalha entre o Megazord, o robô gigante dos heróis e o monstro Goldar (que na série era um dos capangas de Rita) está mais para filme dos Transformers do que para Super Sentai, ainda que seja bem realizada. Nada de saudosismo, mas os robôs japoneses dos anos 80 ainda são bem mais legais que os criados digitalmente dos dias de hoje.

Dentro do já citado contexto moderno dos filmes de super-heróis, o filme está bem encaixado. São personagens sérios que enfrentam situações sérias para então se tornarem os campeões da justiça. Tudo no filme é plausível e a forma como as situações vão se desenvolvendo permite acreditar que de fato os Rangers são nossos novos defensores. Mas aí está mais um problema.

Pra quem é fã das séries originais, o elemento “fantasia” deveria ser mais explorado. Claro que uma noiva geração de fãs deve surgir com o novo filme, mas os mais “clássicos” não podem ficar sem uma série de elementos de outrora revisitados. O melhor exemplo é o filme “Jurassic World”, que encheu a tela com referências do clássico “Jurassic Park”.

Cover-powerrangersmovie

Para mim, não bastou a presença de Amy Jo Johnson e Jason David Frank, a Kimberly Hart e o Tommy Oliver originais, numa rápida cena, nem as citações a outros filmes. E nem usaram a música tema numa versão moderna! Usaram a mesma música do filme dos anos 90.

Como fã dos heróis e dos seriados japoneses, queria que o filme fosse mais fiel ao original do que foi. O novo “Power Rangers” não é um filme ruim, na verdade, é bem legal e divertido, usando uma linguagem mais descolada (coisa de uns vinte anos atrás). Mas posso dizer com veemência que não consegue ser melhor que o primeiro longa-metragem.

É HORA DE MORFAR!

Nota: 4 de 5.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s