Prêmio Nobel de Literatura para Bob Dylan. Merecido?

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Há mais de meio século, o nome de Robert Allen Zimmerman deu lugar ao seu alter-ego Bob Dylan. O mundo da música jamais foi o mesmo desde que esse neto de imigrantes russos judeus lançou sua poesia e sua música, se tornando um dos referenciais mais importantes da cultura popular dos Estados Unidos.

A figura vestida de preto, com um violão em mãos e gaita, de voz “pequena”, mas cheia de atitude é reconhecida por muitos. Mesmo se você não é fã de Rock N’ Roll ou de música Folk, é impossível que não conheça pelo menos uma das canções de Dylan.

Ao longo de sua carreira, Dylan fez de tudo que um artista pode fazer, cantou, escreveu, compôs, pintou, desenhou, atuou… Tudo isso e muito mais em nome de uma máxima que o acompanha por toda a vida: “Os tempos estão mudando”. E ele foi e continua sendo um dos mais ativos arautos dessa ideia.

Fama, fortuna, reconhecimento e prêmios, muitos prêmios ao longo de sua “estrada”. O mais recente foi o Prêmio Nobel de Literatura, conferido pela Academia Sueca anualmente aos nomes que se destacam nessa modalidade de arte e cultura. De acordo com os responsáveis pela organização, a razão da honraria se deve “à inestimável contribuição à poesia de língua inglesa dada por Dylan por todos esses anos”.

O que aconteceu é que a notícia rendeu muita polêmica ao longo dos últimos dias. Seria de fato Dylan um merecedor de alcançar tamanha honra, destinada apenas aos mais ilustres nomes da literatura mundial? Mesmo sendo um dos poetas mais criativos e representativos do século XX, e escrito diversos livros de poesia e mesmo biografias, Bob Dylan é reconhecido pela sua obra musical.

Não há dúvidas que ele cantou e contou como poucos a história do seu país e dos seus tempos de maneira fantástica. Para muitos, a palavra é mais forte que as notas musicais do violão ou os arranjos da guitarra. E a música é uma linguagem de assimilação mais forte do que a palavra escrita para muitas pessoas.

Pensando sob esse prisma, não há por que duvidar da escolha. Bob Dylan escreve belos e contundentes versos e os transforma em páginas do cancioneiro popular. É o que deve ser a poesia: palavra que toca a alma agita o coração e motiva a mente a pensar e agir.

Contudo, a canção, por mais que seja popular, requintada ou simplesmente, atrativa, não é pura literatura. Ela se faz com a palavra escrita e, sobretudo, com a linguagem poética. Mas não é poesia tão e somente. E não sou eu quem determinou tal preceito. A música pode ampliar as sensações de quem tem contato com a poesia contida nas palavras. Mas a palavra escrita é quem de fato nos abre as portas da percepção para aquilo que o autor quer nos dizer.

Diante disso, não digo que foi ou não merecedor Bob Dylan, a “voz de uma geração”. Não cabe a mim determinar a validade de uma escolha feita por outrem. O que eu posso dizer e escrever é que Bob Dylan está entre os mais importantes criadores de toda a história e o que ele diz serve como elementos para que ajudemos a construir essa história ao longo de nossas próprias histórias. A literatura deve ser representada pelos seus baluartes, assim como Dylan deve estar sempre na memória de quem acredita que o que somos, bem como o que fazemos são soprados pelo vento.  

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