Crítica: Os fantasmas contra-atacam (1988)

“Coloque um pouco de amor no seu coração!”

(Frank Cross)

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Uma das histórias natalinas mais conhecidas em todo o mundo foi escrita por Charles Dickens em 1843, em seu livro “A Christmas Carol”, conhecido aqui como “O Conto de Natal”. O romancista inglês transformou um livro feito para quitar dívidas pessoais num dos maiores sucessos literários de todos os tempos. Em poucos dias, o sucesso era tanto que milhares de cópias tinham sido vendidas.

Todos conhecem a história do sovina Ebenezer Scrooge, que na véspera de Natal recebe a visita dos espíritos dos Natais passado, presente e futuro, que lhe mostram o verdadeiro sentido desta data tão especial. Trata-se de uma história de mudança, de valorização dos sentimentos humanos que se afloram nestes tempos de festas.

Como toda obra literária que alcança o status de clássico ao longo dos anos, diversas versões fora das páginas dos livros foram feitas. O cinema, talvez a forma de arte mais popular do século XX, lançou várias releituras da história de Scrooge. Uma das mais divertidas foi lançada no ano de 1988, com o sugestivo título de “Scrooged”,. No Brasil recebeu o nome de “Os fantasmas contra-atacam”, aproveitando o clima cômico. Muitas pessoas confundem esse filme o clássico do “terrir” “Os fantasmas se divertem”, de Tim Burton, lançado no mesmo ano.

Dirigido por Richard Donner, responsável por filmes populares como “Superman”, “O feitiço e Áquila”, a série “Máquina Mortífera”, entre outros sucessos, o filme narra a mesma história de Dickens, mas adaptando-a aos dias atuais (no caso, os anos 80). Bill Murray, um dos astros mais famosos da época, vindo de sucessos como “Os Caça-Fantasmas”, de 1984, interpreta Frank Cross, um diretor de uma rede de televisão, que só pensa nos números de audiência. Para alcançar o sucesso ele não se importa em humilhar funcionários e até membros da própria família. Para ele, o importante são as pessoas na frente da tela e não a qualidade dos programas. Sua avareza é tamanha que num determinado momento, sua secretária diz a ele: “É Natal”. E ele simplesmente responde: “Não diga!”

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Às vésperas da exibição de um especial de Natal, baseado na obra de Dickens, ele recebe a visita de Lew Havward (John Forsythe), um ex-colega tão avarento e insensível quanto Frank. O detalhe é que Lew já estava morto há tempos. O cadáver avisa que Frank receberá a visita dos espíritos dos Natais (Passado, Presente e Futuro) para conduzir o empresário a dois caminhos: ou ele se salva ou estaria condenado para sempre.

Ao longo do filme, Frank revisita seu passado pobre e sofrido e percebe que não tem tratado bem seus familiares e funcionários, entendendo o porquê de ser tão mal visto pelas pessoas. Sua ganância o transformara numa pessoa fria e distante, perdendo sua humanidade ao longo dos anos.

O elenco contava ainda com Karen Allen (Os caçadores da Arca Perdida), Carol Kane, Robert Mitchum, John Glover, Lee Majors, Robert Goulet, John Houseman e Bobcat Goldhwait, conhecido como o personagem Zed de “Loucademia de Polícia”. Além disso, os irmãos de Murray, Brian, John e Joel participaram da produção.

O roteiro de Mitch Glazer e Michael O’Donoghue mostrava os eventos da história de Charles Dickens de uma forma engraçada e dinâmica, aproveitando o talento e a antipatia naturais de Bill Murray na construção de uma versão de Scrooge perfeita. Um chato de galocha de primeira que todos odiavam, mas que não poderiam “dizer isso na cara”.  O personagem de Goldhwait é divertidíssimo, um pobre funcionário que não tem mais onde ser pisado pelo chefe e que encontra num raro momento de coragem, a chance de descontar tudo no patrão.

Há ainda personagens secundários importantes à trama, que mostram ao avarento o verdadeiro espírito do Natal, como os mendigos na missão onde a ex-namorada de Frank ajudava. O personagem de Michael J. Pollard, Herman, ensina uma valiosa lição ao empresário, num dos momentos mais tocantes do filme.

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Mas os fantasmas ou espíritos de Natal é que roubam a cena. O “fantasma do Natal Passado” era um taxista bêbado e alucinado, interpretado por David Johansen, que pisa fundo no acelerador, literalmente. Já o “fantasma do Natal Presente” vinha sobre a forma de uma espécie de fada madrinha que “baixava a porrada”, interpretada pela atriz Carol Kane. E finalmente, como não poderia deixar de ser, o “Natal Futuro” surgia na aterrorizante forma de uma imensa caveira com manto e foice, ou seja, uma representação da morte.

Por ser a história de redenção perfeita de Natal, o filme termina em grande estilo, com todos os personagens num verdadeiro número musical, comandados por Frank. Cheio de júbilo e alegria, convida o público a “pôr um pouco mais alegria no coração”. A clássica frase “Que Deus abençoe a todos” é proferida pelo filho de uma das funcionárias, que até então, não falava nada. Mais um momento de emoção do filme. Falando em música, essa é conduzida por Danny Elfman.

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“Os fantasmas contra-atacam” é um dos mais divertidos filmes natalinos e não se mostra datado, apesar de já ter 25 anos. Bill Murray está em sua melhor forma como o “mala de marca maior”, mas é impossível não gostar desse cara, por mais que ele faça de tudo para que o odiemos.

Um autêntico filme para toda a família, que agrada pela forma divertida como a história é contada, pelos personagens engraçados e pela emoção em alguns de seus momentos, como a própria história original em que o filme se baseia.

Neste Natal, vale a pena se sentar no sofá, reunir a família, pegar a pipoca (ou as rabanadas) e curtir esse filme.

Nota: 5 de 5.

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